segunda-feira, 19 de outubro de 2015

I'll take me back to the start

Vamos voltar, meu bem. Voltar para alguns anos atrás quando tudo era meu nada e nada era maravilhoso; quando aventuras eram vividas em tardes loucas e voltas na quadra eram as maiores inconsequências a serem vividas... Vamos voltar e observar aquela menina pensando em fazer um blog, conhecendo NeverShoutNever, sendo popular no MSN e no orkut... Vamos olhar os detalhes dessa menina inocente descobrindo e ficando com o coração partido em meio ao seu primeiro amor. Agora, depois de tudo, repense.
O que aconteceu?
O meu fim começou com aquele não? Ou com aquele medo inevitável no parquinho da escola? A raiva começou mesmo naquela noite de novembro ou foi tudo predestinado pelo DNA? Tudo começou com aquela maldita risada sobre o amor de alguém ser real ou com o ciúmes do desconhecido? Ou com o sumiço dela? Talvez com o conforto de observadora ou com ataques de raiva...
Mas... O que houve...?

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Minha lista de filmes marcantes:

Bem, qualquer um que tenha a oportunidade de conviver comigo e ter uma pequena conversa, por mais mínima que seja, sabe muito bem que amo demais o universo dos filmes. Amo toda essa magia que vai desde uma etapa de pré produção até a pipoca que vai ser vendida lá nas salas de cinema... Da maravilhosa arte de criar personagens, escolher cores, atores, cenários... Acho tudo muito encantador e já tive até a oportunidade de estudar e degustar um pouco deste mundo e, com certeza, no momento, não me visualizo trabalhando com outra coisa no futuro. Mesmo tendo a memória um pouco falha, queria colocar aqui alguns filmes que são inesquecíveis pra mim, que eu me arrepio ao vê-los e, talvez (tsc), até derrube algumas lágrimas. Essa é uma lista pessoal de alguns filmes que amo que estou revelando aqui no meu cantinho:

- Efeito Borboleta (The Butterfly Effect - 2004)

-Closer-Perto Demais (Closer - 2004)

- A Viagem (Cloud Atlas - 2012)

- Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream - 2000)

-Brilho eterno de uma mente sem lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind - 2004)

-Dirty Dancing (Dirty Dancing - 1987)

- Clube dos Cinco (The Breakfast Club - 1985)

- Meia Noite em Paris (Midnight in Paris - 2011)

- A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi - 2001)

- O Labirinto do Fauno (El laberinto del fauno - 2006)

- Entrevista com o Vampiro (Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles - 1994)

- Valente (Brave - 2012)

- Lisbela e o Prisioneiro (Lisbela e o Prisioneiro - 2003)

- Como treinar o seu Dragão 1 e 2 (How to Train your Dragon - 2010/2014)

- Mesmo se Nada der Certo (Begin Again - 2013)

- Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman or(The Unexpected Virtue of Ignorance) - 2014)

- Trilogia Batman (Batman Begins - 2005, The Dark Knight - 2008, The Dark Knight Rises - 2012)

- Pink Floyd The Wall - 1982

- Simplesmente Acontece (Love, Rosie - 2014)

- Lembranças (Remember Me - 2010)

- Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive - 2001)

- O Rei Leão (The Lion King - 1994)

- Diário de Uma Paixão (The Notebook - 2004)

-Ninfomaníaca Vol. I e II (Nymphomaniac Vol. I & II- 2013)

- Titanic (Titanic - 1997)

- O Homem do Futuro (O Homem do Futuro - 2011)

- As Melhores Coisas do Mundo (As Melhores Coisas do Mundo - 2010)

- Azul é a Cor mais Quente ( La vie d'Adèle - 2013)

- Across The Universe (Across the Universe - 2007)

- Sr. Ninguém (Mr. Nobody - 2009)

- As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower - 2012)

Obs: Mesmo eu tendo visto quatro vezes no cinema e me arrepiando todas as vezes que vi a tranformação de homem para urso, não coloquei Irmão Urso. Sim, nesse lista tem filmes brasileiros porque me arrepio com esses filmes. Meu diretor preferido é o Nolan, mas ele não se encontra muito nessa lista, não é porque adoro o jeito dele de dirigir que a lista inteira seria de filmes dele. Ah é, sim nessa lista tem filmes que contém cenas pornográficas. O filme mais recente que vi dessa minha lista foi Sr. Ninguém e se tornou um dos que mais amo. Eu choro todas vezes que assisto Titanic e Love, Rosie e, quando estou assistindo The Notebook, repito todas as falas porque já li todo o transcrito. Eu gosto de assistir cantando Across The Universe e choro na hora que Hey Jude é cantada. Gosto de cantar Você não em ensinou a te esquecer em Lisbela e o Prisioneiro e adoro as citações sobre amor no filme e na forma cômica como foi feito e dirigido. Eu sei a coreografia do casal de Dirty Dancing e sonho em dancá-la algum dia. Por mais que todo mundo que assistiu comigo tenha ficado confuso, Cloud Atlas está no meu Top 5 de filmes que amo, aliás o Jim Sturgess (que foi descoberto em mim em Um Dia) é o mesmo Jude que me faz chorar naquela cena que citei ali em cima. Eu assisti a Viagem de Chihiro duas vezes no cinema de tão maravilhada que fiquei. Já fui comparada algumas vezes à Clementine de Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças, embora eu me ache mais parecida com o jeito do Joel. Entrevista com Vampiro foi o filme que fez eu me apaixonar por essas criaturas ainda criança, tudo isso por causa daquela cena da Kirsten cortando os cabelos e ficando graciosa de novo (aliás, ela está em um filme com o Jim Sturgess maravilhoso chamado Mundos Opostos). Em uma fase da minha vida, já fui um pouco parecida com o Charlie. Réquiem para um Sonho fez eu me apaixonar pelo Jared Leto e, hoje em dia, ele é um dos meus atores preferidos. Me arrepio demais com o final de Efeito Borboleta, a escolha que o protagonista fez é maravilhosa e ainda tem direito a última cena com trilha sonora da minha banda favorita. O Labirinto do Fauno me convenceu a acreditar em fadas. Além de Titanic, adoro A Origem e O Grande Gatsby com o Leonardo. Me acho parecida demais com a Merida de Valente e me arrepio quando ela diz que é a primogênita de seu clã e quer lutar por sua mão, pois eu faria a mesma coisa. Sou apaixonada pelo Soluço, mesmo ele sendo uma animação. E, me identifico até hoje com o Bender de O Clube dos Cinco, embora eu já tenha sido mais parecida com ele na forma de demonstrar não se importar, mas sempre estar lá pelos que ele se importa.

Dirty Dancing-Hungry Eyes

terça-feira, 28 de abril de 2015

Steven Universe: Garnet's Fusion & Song (Stronger Than You)

Steven Universe "Sapphire and Ruby" REACTION



Esse vídeo define minha reação ao assistir o episódio Jailbreak de Steven Universe <3



Virtude da Ignorância

Sinto por você. Sinto por você um sentimento que ninguém, aos meus olhos, um dia mereceu: pena. Sinto pena de como contenta-te com teu medíocre mundo achando-se rei, o rei de nada. Sinto pena de como não consegue admirar o belo por não tolerar o que é- aos seu ver- imperfeito e como se acha perfeccionista e inteligente por ser assim. Sinto pena pela falta de vivência sua, por não ter o poder de quebrar uma tradição pra salvar alguém que seja gracioso (tu nunca te arriscarias). Sinto pena de como não sabe ouvir, só sabe julgar, criticar e comparar... Sinto pena, pois não sabes amar.
Sinto pena de ti por esperar que as pessoas obedeçam e promovam a ti, seus desejos. Sinto pena de como você só pensa em cortejos e beijos (ou coito). Sinto pena porque você espera tudo cair do céu -fazendo-te ficar jogado ao léu- e não aceita que alguém seja contrário a ti. Sinto pena por pensares que tem alguém e de como, talvez, venha a se tornar ninguém. Sinto pena de como repete os mesmos erros, mesmos receios... Mude suas frases, troque sua fase, jovem! Sinto pena de como contrarias Sócrates ao afirmar que você tudo sabe. De ti, não sinto um pingo de saudade, mantenho distância pela eternidade. Bem, esse é o meu lema, como não posso "não sentir nada" - por você -, tudo o que sinto é: pena.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Nate & Julie

Onde eu morei nunca teve nenhum tipo de violência muito preocupante. Cidade pequena onde todos se conheciam, Todas as casas eram padronizadas com dois andares e um quintal aos fundos que tinha cercas de madeira impondo limites. Esse sempre foi o mundo pacato em que vivi. Até o dia que me deixei entregar à Nate. Lembro-me como se fosse ontem do dia em que o conhecera. Não era um dia muito diferente desse, ensolarado e normal.
Minha mãe e eu estávamos na cozinha, ela tomando seu café puro e eu comendo minha torrada de sempre. Meu pai já havia saído para o trabalho. Eles sempre saíam antes de mim, íam para o trabalho e eu ia andando para a escola alguns minutos depois, não sei se era porque eles não se importavam comigo - pois naquela casa não havia nenhum tipo de afeição um pelo outro ou diálogo- ou se era porque confiavam demais em mim que faziam isso, pois eu podia não ir a escola que eles não iriam saber. Minha mãe me deu um beijo na testa, colocou sua bolsa em mãos e logo saiu. Enquanto ela saia, dei uma olhadela pela janela da frente, tinha um movimento estranho na rua e, pelo que pude ouvir, uns valentões babacas lá da escola queriam bater em alguém. Nada que influenciasse na minha vida. Voltei para a cozinha e fiz o que sempre fazia todas as manhãs, coloquei minha tigela de cereais com leite e fui andando para o quintal dos fundos, por algum motivo adorava ficar lá atrás antes de ir a escola, achava que aquele era meu cantinho da casa... Mas nesse dia, quando eu cheguei lá, foi diferente.
-Quem é você?! É um ladrão? - disse assustada enquanto olhava para um garoto de cabelos castanhos escuros sentado na minha grama. Ele estava todo sujo e parecia ter acabado de pular a cerca.
-Calma, calma. Não sou um ladrão, estou me escondendo. Creio que tenha visto aqueles caras lá de fora... Eles querem me dar "uma lição". -ele disse bem calmo enquanto verificava se nada em sua mochila estava quebrado. Tirei a feição de criança assustada do rosto e vi que aquele guri não era um problema.
-Bem... Eu os conheço. São da minha escola. Sei que eles têm o habito de fazer isso com garotos... Na verdade, conheço todos nessa pequena cidade, mas nunca vi você. - levantei as sobrancelhas e tornei a comer meu cereal.
-Ah, Desculpe-me, meu nome é Nate. Sou novo na cidade, cheguei semana passada e vou começar hoje na escola, provavelmente na sua. - ele dizia as coisas como se a vida dele fosse impulsiva e a mente dele, tanto quanto o corpo, fosse um lugar vasto e sem rumo,
-Provavelmente... Meu nome é Julie, aliás. Por quanto tempo você vai ficar ai escondido? Porque eu tenho que sair pra escola... É uma longa caminhada. -disse enquanto dava a última colherada no cereal. Enquanto ele se ajeitava para falar, enquanto ele alinhava cada músculo de seu rosto pra dizer mais coisas sobre ele, tudo que conseguia observar era o seu jeito. Ele não era parecido comigo, ele parecia livre.
-Pensei que os seus pais tivessem carros. Dois aliás. Por que você vai andando? - ele arregalou os olhos como se soubesse tudo do meu padrão de vida e como se eu caminhar para a escola fosse algo totalmente anormal perante a todo aquele mundo apresentado a mim.
-Eles têm.-Fiz uma feição espantada novamente, como ele poderia saber que meus pais tem dois carros? Ele me seguia? Achei melhor não perguntar. - Mas eu prefiro andar pra clarear a cabeça...
-Por que não pega o ônibus da escola?
- Lugar fechado em movimento cheio de gente que não consegue calar a boca e tudo o que tem de complexo para dizer é o quão legais são e como Ethan é gatinho.
-Ah, entendi. Antissocial. - disse revirando os olhos.
-Não! Eu tenho meus amigos. Mas a maioria no ônibus é de pessoas assim como descrevi. Ei, você está me distraindo, por que aqueles garotos querem te agredir? -disse tentando mudar de assunto.
-Bem, vou resumir a história. Eu era novo na cidade e estava precisando de dinheiro, me ofereceram bastante pra hackear o -fez aspas com as mãos em tom irônico- "super avançado computador deles" e fazer cópias dos arquivos. Não sei o porquê, não me interessa o porquê, sei que pagaram bem, mesmo sendo uma pessoa anônima... Mas eles descobriram que fui eu e... Deu nisso. -olhei bem para os músculos dele que se escondiam debaixo da camisa, ele era alto e ele parecia ter porte para encarar aqueles dois idiotas valentões. Não comentei nada novamente.
-Bem, podemos ir? Eu detesto chegar atrasada.
-Ok, loirinha, podemos ir.
-Meu nome é Julie.
-Tudo bem, "Julie".
Ele saiu pela porta da frente, junto de mim. Sem temer nada ou ninguém. Sem temer os garotos que queriam bater nele, sem temer o que as pessoas poderiam comentar sobre mim, afinal a cidade era pequena...
-Você não vai andando comigo? - hesitei um pouco ao falar, pois acabara de o conhecer e parecia estar requisitando sua companhia.
-Na verdade, minha moto está estacionada há duas quadras daqui. Quer carona? - ele foi convidativo, seus olhos sofridos, sinceros e livres pareciam me querer perto dele, mas o que todos iam pensar de mim se eu aparecesse com o garoto novo no primeiro dia de aula?
-Melhor não. Obrigada, Nate.
Ele deu as costas e eu me virei e tornei a andar. Dei uma última olhada para ele, já de costas. Pude perceber que ele acendeu um maldito (e nojento) cigarro quando se foi. Não é que eu fosse atraída por problema e perigo, apenas aconteceu... Mas o jeito dele, como falava,como se ele fosse morador de lugar nenhum e natural do mundo. Ele me atraiu.

dedicado à: Juliana

domingo, 15 de fevereiro de 2015

dois mil e quinze

Sinto como se tivesse recomeçado minha vida de novo. Eu já tinha mudado durante o ano de dois mil e quatorze, mas na meia noite do dia primeiro de janeiro de dois mil e quinze eu tomei minha decisão de oficializar minha mudança. Parece que eu procurei novamente novos braços e um novo local para me alocar. E.. Como sempre... Se a vida muda, se você muda, o elenco inevitavelmente muda.
Não estou dizendo que tudo que vivi naquele lugarzinho vai ser deixado para trás porque, afinal, foi lá que descobri minha área profissional e foi onde tracei uma meta em minha vida profissional... Mas não são muitas pessoas que pretendo carregar na mente e... são raras as que carregarei no coração. Estou apagando memórias e me juntando a Clementine.
Ora, garota, não seja dramática, sabes que não está sentindo tanto quanto escreves sobre... Porque você, melhor que ninguém, sabe o quanto um escritor é mentiroso em suas palavras... Ora, garota, escreva poemas sobre a tristeza que guarda em si e apague mais uma vez as memórias de tudo que viveu... Coloque na sua cabeça de que tudo foi um sonho conturbado durante uma noite de verão que te trouxe experiências para a vida.
Sabe, é como se eu tivesse me esvaziado de novo, às vezes é como se eu fosse uma fumaça... Tenho a sensação de que para cada passo ou piscadela que dou, tenho que respirar fundo. Mais uma vez, só confio na minha escrita e nela deixo minhas subliminares mensagens.
Eu sinto que estou cansada até de falar a minha língua nativa. Sinto que sou moradora de lugar nenhum e natural do lugar "sem raízes", filha da mãe "terra verde" e do pai "cheiro de terra molhada". O silêncio toma conta de meus olhos e não sinto mais necessidade de necessitar.
É como se depois de muito tempo, eu conseguisse ser a heroína fria das histórias que leio e escrevo... É como se aquelas roupas estranhas e escuras do meu armário só estivessem esperando por essa ilusão de vida passar... Tudo se foi como essas gotas de chuva que caem no chão.
Isso foi uma mensagem apenas dessa rosa que nunca deixou de ser negra, gostar de cravos brancos e alucinar sobre tulipas...

domingo, 5 de outubro de 2014

Um gole de amargura

Depois de um tempo, você aprende que ninguém te ensina a viver. Ninguém te ensina como você deve se comportar durante a madrugada ou se você deve reagir quando levar uma surra, seja da vida ou de uma pessoa. Você começa a ficar mais amargo por dentro e flexível por fora, trilhando seus caminhos e superando suas derrotas. Você vem para essa rua deserta sem saber que quanto mais você diz pra si mesmo que não consegue seguir adiante, mais você tem que achar forças dentro de si para levantar e estar pronto pra ficar de pé da próxima vez que cair. É, meu querido, a sua escola não vai te dar um emprego só por causa das suas notas boas e não vai te ensinar a ter caráter e ser uma pessoa que valha a pena ter a companhia. o mundo, meu bem, vai perder as cores, as comidas vão perder os sabores, suas manias vão aumentar, seu jeito de viver vai relutar e se você não for um desses obcecado por atenção, vai ficar um pouco só. Na vida, aprende-se que deve se renascer da agonia, daquelas lágrimas que você chorou há quatro anos atrás que ainda deixam ensinamentos que ninguém te preparou para receber. Suas cicatrizes não são marcas de vitórias ou de derrotas, são apenas marcas que você não vai falar muito sobre. O leito pode estar manso, calmo e sereno, mas, por dentro, a vibração vai te consumir até que seus poderes de observação se tornem magníficos. Tudo vai ficar preto e branco e tudo que te divertir verdadeiramente, vão falar que é muito errado e que você é manipuladora e traiçoeira. Seu contra argumento vai ser o silêncio, pois não vai querer gastar palavras com mais um que te chame daquilo. Não vai gastar palavras com pessoas que apenas escolheram sair de tua vida. E... A música boa, uma bebida saborosa, um bom livro de poesia e um vício vão ser seus maiores companheiros... Porque, afinal, todos se vão como fumaças de um cigarro ruim ao vento.
Tudo o que você vai ter para querer contar, meu bem, vai ser um belo sorriso que talvez uma criança roube de você e o vazio terá te consumido tanto que não adianta nem esperar por aquele que vá colorir teu mundo e salvar você de pular do precipício... 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Soneto de Aniversário



Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
(Rio, 1942)
Vinícius de Moraes 

domingo, 21 de setembro de 2014

Nobody Home


O tempo - parte IV


-O que procura?
-Mãe!? - disse a garota sorrindo e deixando uma lágrima cair de seus olhos.
-Perdão? - talvez a menina fosse apenas mais uma fugitiva do hospício que tinha ali perto. Abaixei a arma e ela limpou as lágrimas. - Qual é seu nome?
Ela sorriu disfarçadamente enquanto ainda limpava suas lágrimas, jogou o cabelo todo para um lado só e disse:
-Você ainda não sabe, né... Sou Sophie... Uma pessoa que te conhecerá muito bem.
- Sou Leona, Sophie. Queria saber se você tem alguma ligação com o homem que vivia aqui.
- Vivia? O que aconteceu com ele? Digo, acabei de chegar de viagem. - tornou a chorar novamente.
- Você tinha alguma relação com ele, Sophie? - enquanto eu falava com ela, adorava pronunciar seu nome mentalmente, sempre tive ma atração pelo nome "Sophie" e sempre falei que este seria o nome de minha filha.
- Ele é meu pai. - estava com uma mochila e a colocou nas costas de novo. Se ajeitou e me empurrou sutilmente para lado, subiu as escadas sem dizer uma palavras e eu por intuito, a segui. Ela parecia bem astuta e decidida.
Parou em frente a mesa de Thomas e abriu uma gaveta, deixou a mochila no canto da sala e colocou seu dedo em um detector digital dentro da gaveta, acho que era o que Mendez havia mencionado. A estante logo colocou-se para frente e uma porta se abriu.
-Sophie, o que significa isso? Se você sabe de algo que ajude na investigação, você tem que me contar.
Ela fechou a gaveta e pareceu me ignorar. Abriu um pouco a cortina do escritório e olhou pela janela, estava assustada. Tornou a andar até a porta recém aberta e eu a puxei pelo braço.
-Trate de me contar o que está acontecendo agora! Seu suposto pai morre e você não esboça nenhum tipo de reação?! Me diz agora o que você é! Você deve ser a pessoa que mencionaram que não tem digitais!
-Leona, preciso que entre na sala comigo. Aquele homem era seu marido, meu pai e eu não fiquei abalada porque não é a primeira vez que o vejo morrer, mas é a primeira em que eu reencontro você! Foi um homem que o matou... Ok? Por favor, entre na sala e eu lhe explico tudo.
Não pensei duas vezes em entrar, estava furiosa e curiosa por causa daquele maldito caso. Entrei, a sala era revestida de algum tipo de metal e havia uma cadeira nela, ligada a uma grande máquina que eu pensei que poderia fazer um barulho de máquina de lavar ou ser algum tipo de arma. Ela fechou a porta e sentou no chão da sala.
-Continue, Sophie.
-Bom, tudo começou quando eu era bem pequena. Eu tinha subido pra tomar um banho logo depois de jantar e vi você e papai conversando algo sério na mesa. - A menina insistia em me chamar de mãe, mas como eu estava sedenta de respostas, não a interrompi - Você estava assustada e papai cauteloso. Foi quando a campainha tocou e os homens importantes chegaram...

Comfortably Numb


Essa menina astuta está tão "tanto faz" que nem a reconheço mais. Sentada, paralisada, olhando para a parede tentando desligar-se de tudo e de todos. Não se importa muito com os que estão aos arredores e para onde vai, aprendeu que a melhor companhia pra si é ela mesma. Tudo que ela precisa é de seu caderno de poemas, um local pra repousar e escutar sua música e seu destruidor vício escondido. 
Os pensamentos não são felizes, dizem que a menina voltou a sua antiga filosofia de que tudo é passageiro, de que ela não gosta do caos na convivência social e que se cansou novamente da estupidez alheia. Os seus poemas retornaram e as suas histórias estão mais inspiradoras que nunca. Mas o que houve àquela menina? Ah, ela apenas não tem mais as distrações que costumou ter por aqueles minutos de anos, seu vazio retornou e não há ninguém que consiga a tirar daquele isolamento. Ela está confortavelmente entorpecida de memórias mortas. Voltou a ser a poeta que experimentou de tudo para escrever sobre e, aliás, ela sempre soube de onde vem sua inspiração. 
Ei, do que ela tem que reclamar? Ela não está triste, só não está feliz. Já teve dias melhores ilusórios, mas não está nos seus piores. Ela definitivamente não está nos seus piores. Ela está com sua cabeça em dia, organizando sua biblioteca de dores e se afastando de todos. O único sorriso que a alegra verdadeiramente é o de seu pequeno companheiro de vida, um dos que não a abandonaram.
Ouvi dizer que essa menina diz que tem muito a aprender... E que adora ensinar aos outros as lições pelo qual passou, do jeito dela.
Espere, não percebe que parece que ela criou seu próprio mundo, ri sozinha de piadas que ela sabe que só ela vai entender e parece conversar consigo. Ela está sendo observada por uma visão mais nova de si, que achava que em nessa fase que ela se encontra, ela estaria bem diferente. A criança achava que era tristonha e desiludida, mas no fundo tinha esperança. Agora, a esperança se foi, porque teve um tempo em que a menina encarou o mundo sozinha e chorava todas as noites por não ter ninguém que a abraçasse e dissesse "vai ficar tudo bem". Mas, agora, ela não chora mais. Ela encara. E foge de dramas. Pessoas trazem dramas demais e balbuciam sobre coisas que não doem tantos aos já feridos.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Esperança

Não resta fagulha alguma
São sombras que carrego em
Meus olhos castanhos
São cegueiras de um passado constante

O que seria este Vinicius dentro de mim?
O que seria...
Corra e se esconda de meu fervor
Que juras amar e odiar

Cercada de asas e com medo de pousar
Vejo a tua pele e tento sentir
Faça-me sorrir...

Espero que não seja apenas
um fio de linha vasto
Mas um eterno farto...

J. Jacques, Rio de Janeiro, 2014

Manhã

Leito sereno e sangrento
Que abalada a grande
ferida obscura da
Alma azeda

Gritai-vos para soltar os fogos
Um meia lua momentâneo e animador
Está exalando a dor
Solte os demônios

O que é isso solto em agosto?
O que é isso em que eu fui posto?
Que isso seja deveras um desejo

No teu ardente beijo
No teu pescoço afiado...
Em nossos corpos costurados

J. Jacques, Rio de Janeiro, 2014

Girassol de menina

Brilha o resplandecente vazio de luz
Brilha tao forte que teus olhos 
Vos seduz
Faça do teu canto o alvorecer

Tu és o caminho da fagulha de calor
Teus cabelos negros são a essência
De um girassol...
Teu semblante amarelo é o pôr do sol

Contenta teus próximos com tuas
Bochechas coradas de sardas
Seu coração é a pétala que faltava

Não deixe nunca teu coração ser partido
Por esta facada de céu cinza, pois
Tu é a flor de que o mundo precisa

J. Jacques, Rio de Janeiro, 2014

sábado, 2 de agosto de 2014

Metáfora

Todos os dias, logo de manhã, eu tenho o costume de observar as paisagens que tenho a oportunidade de degustar pela janela do ônibus. Árvores, prédios, ruas floridas e bairros que adoro... Tantas coisas para se aproveitar visualmente que me sinto uma filosofa ocular, reparando nas coisas comuns da vida e tendo um olhar super diferenciado sobre tudo. Enfim, nesta minha viagem diária, eu sempre vejo um cachorro em um certo bairro. Tudo bem, vou me referir a ele como cachorro de certo bairro. Ele sempre está lá, preso por aquelas grades olhando para todos que passam na rua, para todos aqueles projetos de seres humanos e carros apressados... Nenhum sujeito se atreve a olhar para ele, mesmo que ele pule e faça graça, corra de um lado para o outro... Tudo está arrumado no quintal em que ele fica, um pote de ração cheio, casinha bem pintada e três brinquedos jogados ao seu redor e, mesmo assim, ele fica mais tempo admirando a rua. Ele tem tudo ao seu redor e parece tão só, querendo companhia, alguém que o note. você já pensou como deve ser ficar rodando para um lado e para o outro, parando no mesmo lugar e ter que ver a vida passar por entre grades? Ver todos movimentados e vivendo e você ficar parado esperando que alguém pelo menos brinque contigo? Eu reparei naquele cachorro porque ele é minha metáfora da vida personificada. Eu reparei nele porque o entendo. Mas, eu ainda penso nele de um jeito feliz, penso em sua feição ao ver seu dono no final de todos os dias, em sua alegria e animação ao ver sua pessoa e penso que... um dia... eu ficarei animada ao ver a minha, não por entre grades ou através de vidros, mas... perto de minha pele... sorrindo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

SONETO DE AGOSTO


Tu me levaste, eu fui... Na treva, ousados
Amamos, vagamente surpreendidos
Pelo ardor com que estávamos unidos
Nós que andávamos sempre separados.

Espantei-me, confesso-te, dos brados
Com que enchi teus patéticos ouvidos
E achei rude o calor dos teus gemidos
Eu que sempre os julgara desolados.

Só assim arrancara a linha inútil
Da tua eterna túnica inconsútil...
E para a glória do teu ser mais franco

Quisera que te vissem como eu via
Depois, à luz da lâmpada macia
O púbis negro sobre o corpo branco.

Oxford, 1938

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O tempo - parte III

-O jantar estava maravilhoso, amor. - eu tinha comido dois pratos cheios e estava limpando minha boca com o guardanapo. Sophie levantou, colocou seu prato na pia e foi tomar banho. - Tom... - Ele estava demonstrando aflição com a cabeça apoiada em suas mãos e olhando para o nada.
-Oi, amor...
-Você vai me dizer a verdade sobre o homem que ligou antes do jantar? - eu segurei sua mão, independente do que ele estivesse sentido, eu sentiria com ele.
-Lê... É algo do trabalho... Um projeto que deu errado...
-Seu chefe vai te demitir?!
-Digamos que eu mexi com algo superior ao meu chefe... E eles virão nos buscar. - quando ele, falou isso, uma lágrima caiu de seus olhos.
-Tom... O que você fez?
Ele enxugou as lágrimas e esboçou um sorriso meia lua:
-Lê, você lembra exatamente como foi o dia que nos conhecemos? O que você estava sentindo e suas aspirações naquela época?
-Ah, eu me lembro... Eu ia seguir a carreira do papai, queria ser agente de polícia e estava alegre, pois tinha acabado de me formar. A gente estava em uma festa com os calouros da faculdade de física-não-sei-oquê e você era um dos caras que estava apanhando de um valentão da minha escola, embora fosse calouro da faculdade - eu sorri. Pude ver o sorriso em seu rosto também.
-Ótimo, de verdade. Agora vamos lá para cima.
___________

Eu peguei as chaves do meu carro e logo fui para a casa deste maldito Thomas. Eu queria entender, já estava começando a acreditar naquelas ficções científicas loucas sobre coisas bobas. Mas eu tinha que investigar mais.
Andei pra lá e pra cá em sua sala, não teria nada de importante ali, pois ele não ia querer que ninguém achasse. Onde estaria qualquer tipo de vestígio de projeto?
O escritório.
Corri escadas acima e a primeira porta a minha direita era a de seu escritório. Muitas estantes, livros e objetos interessantes que eu teria em minha casa. No fundo, uma escrivaninha que assustava o ambiente por ser uma daquelas de madeira antiga e o visual só piorava com aquela cortina verde musgo. Puxei sua cadeira e me sentei tentando analisar a sala sob sua perspectiva.
Ao olhar para sua gaveta, pude ouvir uma voz que sussurrava meu apelido de colégio "Lê...". Minha pele ficou arrepiada tão rápida quanto o movimento que fiz para abrir a gaveta. Papéis, bilhetes, cartas, apostila de física-não-sei-oquê e um desenho de uma tal de Sophie.
Sophie... O nome que sempre quis para minha filha... Aos poucos, aquele homem passava de pesadelo a sonho nunca realizado.
~~trim trim~~

-Sim?
-Leona, sei que está na casa do seu marido - sorriu, mas eu não achei a menor graça - Enfim, o John disse que encontrou uma passagem atrás da estante do escritório dele- "que clichê", eu pensei - e a entrada é aberta pela escrivaninha, mas só com a digital de alguém de sua família.
-Você diz... Filho, filha ou esposa, né?
-Sim.
-De qualquer forma, Mendez. Obrigado. - desliguei o telefone.

Pude ouvir a porta se abrir lá embaixo e peguei minha arma da cintura. Do segundo andar, pude olhar quem estava na sala de estar. Era uma menina loira, que aparentava ter quinze anos. Era bem discreta e não fazia barulho ao andar. Parecia que ela estava checando alguma coisa em relação ao, seu talvez conhecido, Thomas. Desci e baixei a guarda com a arma. Ainda parada nos degraus da escada, eu disse:
-O que procura?
-Mãe!? - disse a garota sorrindo e deixando uma lágrima cair de seus olhos.